ERGONOMIA EM MANICURES E PEDICURES: IDENTIFICANDO OS RISCOS FÍSICOS DA ATIVIDADE

Lucas José Garcia, Clarissa Stefani Teixeira, Giselle Schmidt Alves Díaz Merino, Leila Amaral Gontijo, Eugenio Andrés Díaz Merino

Resumo


O mercado da estética cresce cada vez mais no Brasil. A atividade exercida por manicures e pedicures, porém, não apresenta apenas caráter estético, uma vez constatada a relação desta atividade com a saúde, higiene e prevenção de doenças. Entretanto, o profissional envolvido neste tipo de atividade apresenta queixas musculoesqueléticas decorrentes de fatores como as posturas adotadas, longas jornadas laborais e mobiliário inadequado. Dentro deste contexto, este artigo tem como objetivo analisar as queixas musculoesqueléticas percebidas por profissionais da área de estética (manicure e pedicure) de forma a identificar os principais riscos físicos da atividade. Para tanto, foram avaliadas manicures e pedicures de um centro de estética de Florianópolis-SC, foram coletados além dos dados socioeconômicos das trabalhadoras, as queixas musculoesqueléticas percebidas que estivessem associadas às atividades do trabalho a partir da aplicação do protocolo RULA e de um mapa corporal de desconforto. Os resultados apresentados contemplam um mapeamento da atividade, bem como as queixas relatadas pelas profissionais e os principais riscos físicos das atividades. Observa-se que as regiões do pescoço e do tronco são as que podem ser consideradas como sendo as mais críticas durante o atendimento às clientes. Por sua vez, em caráter secundário observa-se o comprometimento das regiões do braço, antebraço e punho.

Palavras-chave


Ergonomia; manicure; pedicure; RULA; queixas musculoesqueléticas

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