Potencial terapêutico da participação em movimentos sociais: um estudo a partir de militantes do MST

Leandro Amorim Rosa

Resumo


O presente artigo objetiva realizar uma discussão inicial sobre as possibilidades terapêuticas presentes na participação em movimentos sociais, mais especificamente no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para se pensar a participação política foram adotados como referenciais o pensamento gramsciano e a psicologia histórica cultural. No que diz respeito à ação terapêutica, foram assumidas as propostas de fatores terapêuticos de Yalom e de outros estudos baseados em tal autor. O corpus empírico foi produzido por meio de entrevistas semiestruturadas com quatro militantes do MST. A partir da articulação entre os depoimentos e as elaborações teóricas, pôde-se pressupor a existência de uma dimensão terapêutica nas vivências dos participantes junto ao movimento social. Foram identificados oito fatores terapêuticos nas falas dos militantes: instilação de esperança; universalidade; compartilhamento de informações; altruísmo; desenvolvimento de técnicas de socialização; aprendizado por intermédio do outro; aceitação; autocompreensão. Outros três fatores terapêuticos psicopolíticos são também propostos: ideais de mudança comunitária e social; garantia de sobrevivência e segurança material para a família; conquistas relacionadas à luta. Por fim, procura-se entender e propor como tal dimensão terapêutica pode estar vinculada a outras duas dimensões presentes no movimento: o aprendizado e a práxis política. Defende-se a possibilidade de entender a ação política coletiva não como um movimento de massa predominantemente irracional, impulsivo e autoritário, mas como detentora de potenciais de emancipação e mudanças sociais democráticas.

Palavras-chave


movimento social; psicologia; MST; saúde mental; participação política.

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.